Eu não entendo (muito bem) o por quê de se romantizar os pés-na-bunda, os corações partidos, amores que foram embora e te largaram chorando no chão da cozinha. Isso só fica bonito nas letras de música, nas telas do cinema, nas entranhas dos livros, porque quando é com a gente mesmo é uma bosta, você sabe. Bem, talvez não seja uma escolha, apenas azar. Só não acredito que isso possa ser motivo de orgulho, colecionar num álbum de figurinhas os pedaços de si próprio. Daí sair por aí e fazer tudo de novo. Acreditar, a gente acredita, nós, as pessoas românticas, mas chega uma hora que não só cansa, vira burrice.
Eu nunca senti orgulho dos meus fracassos pessoais, aqueles que eu provoquei e aqueles que vieram (ao acaso? acho que não...). Eles me renderam algumas histórias, é verdade, nenhum dinheiro no bolso, o contrário disso, e algum aprendizado: parar de uma vez por todas de amar as pessoas erradas. Sabe o que é, darling, eu queria te falar: essas pessoas-pobres-diabos da balada que têm um falso 'ego' a sustentar e depois são como ratos, veja bem, elas só servem na balada, enquanto a sua cara está cheia de álcool e o seu nariz cheio de pó. Elas não servem para você levar pra casa e se apaixonar. Desista.
Quando eu aprendi isso a minha sorte mudou e hoje eu só tenho azar no jogo. Aprendi que nenhum desses que eu encontro por aí vale mais que uma olhada despretenciosa. Nada vale mais do que ter ao seu lado alguém de verdade, carne-e-osso-e-defeitos-e-fragilidades, mas que está longe de ser rato.